Mais Um Entre Tantos
 


Acabei de ver o último episódio da segunda temporada de Lost. E, bem, quem acompanha a série pela ABC já está sentindo a cabeça coçar com tantas minhocas.

Fiquei (eu e mais uns 3 milhões de fãs) com muitas dúvidas. Mas prefiro não especular muito. Por hora, bastam as perguntas.

Primeiro, as de cara:

1) Quem são aqueles portugueses e onde eles estão?

2) Será que a Penny sabia que o Desmond estava na ilha? Afinal, como sabia dos distúrbios eletromagnéticos? Ou será coincidência?

3) O que aconteceu com Mr. Eko e Locke? Morreram? E Desmond? Morreu? Por que Charlie foi parar na praia e não voltou para busca-los?

4) Repararam que o nome completo do Desmond é Lance Desmond David Hume? Bom, David Hume foi um filósofo inglês conhecido pelo seu ceticismo e, ao lado de John Locke e Berkeley, um dos maiores empiristas ingleses (http://pt.wikipedia.org/wiki/David_Hume). Alguém acha que é coincidência o fato de Locke e Desmond Hume tramarem juntos esperar o contador zerar?

5) Os "outros" que apareceram dizem ser bonzinhos. Já sabemos que o grupo que sequestra a Claire é o mesmo que leva o Walt. Se eles são bonzinhos, quem são os malvados? E o que eles planejam fazer com o trio capturado?

6) O falso Henry Gale é um chefão do grupo? Por que ele pareceu dar bronca no "Zeke"?

7) Por falar no falso Henry Gale, ele diz pro Locke, em um episódio anterior, que iria ser punido pelo líder. Quem é esse líder?

8) Aliás, ele ia ser punido porque estava indo buscar o Locke. Se eles queriam o Locke, por que o Locke não estava na lista dada ao Michael? E qual a razão para ficarem com Kate, Sawyer e Jack?

9) Aliás de novo, por que o falso Henry Gale não foi punido?

10) Se foi o Desmond quem derrubou o avião, por acaso, como os "outros" poderiam estar de prontidão, com um espião pra infiltrar no grupo da Ana-Lucia?

11) Vemos no último episódio que o Desmond tem um macete bem legal pra fechar as portas da escotilha. Beleza. Mas quem fechou as portas quando o John ficou preso?

12) Por que tanto os "outros" quanto o Desmond tinham aquelas vacinas? Será que realmente há uma doença à solta na ilha?

 

Enfim, há muito mais perguntas. Infelizmente, não saberemos a resposta tão cedo, nem saberemos o que é planejado pelos produtores e o que é furo de roteiro. Quantas temporadas terá essa série? Não sei mesmo. Mas ela promete, ah, se promete...



 Escrito por João C. às 18h02
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Sim, há.

Triste happy-houor. Dirigindo tudo fica pior. Dor de cabeça, duas aspirinas não dão conta. Chateação, estresse. O trabalho é bom, mas as crianças, as crianças! Chegar em casa é um inferno. Essas duas garotas não dão sossego algum. Choram o tempo todo, querem tudo o tempo todo. Sempre querem mais. Sempre! Nem com os amigos se pode sair hoje em dia. Nem um minuto de paz, não tenho tempo sequer pra ir ao banheiro.

Já enlouqueci ou vou enlouquecer. Penso no amanhã, penso sempre no pior. A desgraça é olhar pra frente e não enxergar nada. Só me enxergo na mesmice, estrou dentro desse mundo louco, dentro de uma vida que não gosto. Não vejo esperança, não vislumbro qualquer novidade. Vejo a mesma coisa, os mesmos problemas, as mesmas chateações daqui a dez anos.

Estarei igual. Ao lado de um coração vazio.

 

O domingo amanheceu cinzento. Inerte após a noite de insônia, olhava fixamente o telefone. Na esperança de adquirir coragem, levantou da cama e tomou um banho gelado. Seu reflexo no espelho do banheiro denunciava o medo estampado na face cansada. Preparou um café forte e amargo e a cada gole da bebida quente rezava uma prece sem Deus, rogando ao Nada forças para fazer o que deveria ser feito, como era feito todos os dias desde o início de nossa vida em conjunto. Eu o vi assim e chorei quieta. Sabia o que pensava, sabia o que pedia. Ninguém precisava me dizer. Acostumei-me a perceber sem qualquer tipo de caridade. Do outro lado da parede, risos e esmurros. As crianças brincam. Final de semana. Ele voltou, sentou na cama de novo. Pôs os óculos e abriu o jornal. Nada havia de errado. Me mexi, ele nem piscou. Disse-lhe que estava cedo, ele nem piscou. Levantei, perguntei se sobrara café. Nem um gesto, nem uma emoção. Fui até a cozinha, preparei um café forte e amargo. Rezei uma prece para cada um de meus deuses. A última, esta eu guardei junto ao peito. Fui ao quarto, olhei as crianças. Voltei pra suíte. Afastei o jornal, tirei a camisola. Ele me olhou por alguns segundos. Tirou os óculos. Beijei sua mão enquanto sentia a lâmina suave. Meu impulso foi o coração, mas acertei algum osso. O sangue pingou nos lençóis verdes. Ele agonizou, certamente. Em algum lugar um pássaro cantou.

 

concurso maldito 21



 Escrito por João Carlos Escosteguy Filho às 01h23
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Com os amigos,

aventuras, sofrimentos, alegrias, muitos gritos, alguns de pavor. No intervalo, uma gelada. No meio tempo, uma piada. A história de alguém, assim, sempre recontada. E nunca fica velha, nunca se esgota. Sempre um novo detalhe, uma nova situação. Tudo no instante que separa o sério do babaca, a faculdade da noitada, o trabalho do baralho, a sinuca da cerveja, ah, a cerveja! Traga outra, meu grande amigo. Essa rodada, deixa comigo! A próxima você paga, ou não me paga, tanto faz. Venha, vamos beber. À nossa saúde! Quero mais.

O momento da realidade. O momento do descanso. Nós aqui, vestidos assim, à caráter. Uns copos na mesa, comecem a contar. Quando chegar na décima a gente pára, e vamos continuar. Vamos pra onze, pra doze, outra rodada, assim não dá. Tenho que chegar em casa, tenho que trabalhar. Só mais uma, promoção no escritório. Outra pelo prazer de nosso reencontro. Terceira pelo nosso novo amigo. Quarta pela vitória na pelada de domingo. Quinta só pra desafogar essas mágoas. Vem mais pela traição daquela vaca. Nem mais conto pela frustração da faculdade. Não gosto do que faço, não gosto desse curso, eu queria era ser escritor de poesia. Vem, amigo, chora no meu ombro.

É tarde, é madrugada. Não tem mais música, cabou a graça, mas nunca o momento! Guarde as garrafas, guarde os tacos, semana que vem a gente retorna. Assim, e que nunca acabe. Amigos, amigos, ainda que faculdades à parte. Desde a infância nos encontramos na noite. Antes era coca-cola, hoje é papo mais sério. Amigos desde pequenos, isso é uma lembrança. Amigos até bem velhos, isso é esperança. É vontade, desejo e vida. É amizade. É saudade. Itaipava geladinha.

 

Texto escrito para o 20º Concurso Malditos

Agradecimentos ao Lurian, por ceder a foto sem saber (hehehe).



 Escrito por João Carlos Escosteguy Filho às 21h41
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Sem pretensões.          

 

           Não nasci mulher, não me tornei mulher. Deveria escolher ser mulher, que dia, que dia esse! Dia em que apenas as vejo com presentes e com mimos, vejo as bandeiras de vanguarda junto às conservadoras flores e penso, e sinto, e choro porque não são pra mim. Levantam-se causas, mas não para mim. Exigem igualdade, mas não é para mim.

Não nasci mulher, é verdade, mas e o acaso, o acaso ninguém vê? Por um acaso estou aqui, sim, porque nasci mulher, certamente que sim, apenas não vim ao mundo mulher em corpo. Estou incompleta, sinto que estou. Estou à margem, à margem me sinto mulher. Jogada, desprezada, ignorada, suplantada, estigmatizada e brutalizada: uma mulher sufocada porque deseja ser mulher. Uma mulher destruída antes de se tornar mulher. Alguém que deseja ser mulher, deseja ser parte disso e é reprimida, aliás reprimido, é deixado de lado, esquecido, e torna-se um pária sem querer. O que é isso, o que é o corpo, onde fica a alma, pode me dizer? Localize, apenas aponte, apenas anote, talvez com a sorte, talvez com tristeza eu a possa ver. Não vejo alma, não vejo corpo, vejo coração, coração de mulher. Sentimentos, tormentos, inseguranças, sou eu mulher. Talvez bem mais forte, talvez de voz grossa, com uma pica grosseira, mas me vejo mulher. Não são os meus olhos, não é minha cabeça, não estou maluca, estou insegura, estou tristonha, não me olhe assim. Não me veja com pena, não me veja com dor. Me veja como sou ou não me veja, me deseje como sou ou me esqueça. Não se esqueça de mim, por favor! Me liga, me telefona, deixa um recado, diz que me ama, vá-se embora, me esqueça daqui! Quem é a outra? Quem é a vaca? Não me mande calar a boca! Não me julgue! Não olhe a aparência, não, não se perca em detalhes! Veja além disso, veja o que sinto, veja como ajo e me diga com sinceridade: Posso eu ser homem? Posso eu ser homem por conta de um acaso?

Como podem me dizer pra ser homem, como podem me querer homem? Quero que me queiram mulher, que me façam mulher, que me deitem, me cubram, me amassem, me comam, me batam e digam “Vem cá sua vadia!”. Quero ser doce, quero massagem, quero carinho, palavras suaves, não esqueça um bom vinho, quero um mimo, quero atenção, mais gentileza, boa educação, uma lareira, algumas montanhas, um belo frio, ah!, o domingo! Quero ser santa, quero ser pecadora, quero ser Madalena e continuar pura, quero me sentir puta, quero satisfazer, quero meu escravo, quero trepar, não, preciso fazer amor, ser maravilhosa, não tenho pudor. Quero ter medo de doer, quero ter medo de amar, quero ter medo de sofrer, quero as sensações que nunca poderei ter! Quero me apaixonar.

Quero uma lembrança, assim, bem guardadinha! Uma lembrança querida, uma flor, um bilhete de cinema, um papel que joguei fora e encontrei tempos depois nas suas coisas, assim, bem guardadinho!

 Não quero ser usada, não, não, hoje quero, hoje não quero, eu sou assim. Me entenda, me ajude, sai de perto e me ame. Vou gritar, vou brigar, vou sofrer e vou chorar. Vou ser forte e valente, vou superar e rir de você. Sou ciumenta, sou possessiva. Não me enrole! Sou chantagista, não me duvide! Sou venenosa, não me machuque! Sou pequenina, não me agrida... Sou frágil, não me culpe... Sou amável, mas tenho crises... Não te mereço, sou uma boba! Você não me merece, sou melhor do que você!

Eu sou frágil, não me iluda... Mesmo que eu peça, mesmo que eu implore...

Já nasci iludida. Presa a essa vida. Condenada sem culpa, só pela maior culpa de todas, só pela culpa de ser mulher. De querer ser mulher.

Sou alguém que nunca será.

Ah, que triste é iludir-se se o espelho aí está!

 

 

Um parabéns a todas as mulheres por este dia. E um parabéns a todas as mulheres que, por alguma razão, são impedidas de serem mulheres.

 



 Escrito por João Carlos Escosteguy Filho às 16h06
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Discurso vazio e outros negócios.

 

Recentemente, abandonei a comunidade “Academês e discurso vazio”, no Orkut. Abandonei porque percebi que não correspondia às minhas expectativas. Quando me juntei a ela, achei que seria uma boa idéia. Achei engraçado essa coisa de brincar com o discurso vazio que é veiculado nos meios de comunicação de massa, esse discurso vazio de que se aproveitam (muitas vezes, mas não sempre) veículos como a Veja, Primeira Leitura, Mídia sem Máscara etc., de um lado, e Caros Amigos, Carta Capital etc., do outro lado. Porque, como um participante da comunidade de história do Orkut disse certa vez, “a burrice não tem ideologia”. Ta certo. A imbecilidade pode vir tanto da direita quanto da esquerda ou do centro. No mesmo sentido, a genialidade não tem ideologia. Há gente boa conservadora, há gente boa esquerdista.

 

(Uma opinião pessoal: a imbecilidade da direita é muito mais engraçada que a da esquerda, por um simples motivo: a imbecilidade da direita, muitas vezes, apóia-se sobre um discurso cheio de palavras bonitas, construções gramaticais arrojadas, mesóclises, citações em francês, latim e grego arcaico, enquanto o discurso da esquerda é mais no sentido “cuba é bom pra caralho, seus filhos-da-puta!”. Como disse outro participante da comunidade de história do Orkut, o professor da Unicamp Leandro Karnal, “imbecilidade com citação em latim continua sendo imbecilidade. Olavo de Carvalho é papo de botequim com citação em latim”. Isso foi muito engraçado. Mas deixa pra lá.)

 

Voltando ao início do texto: abandonei a comunidade sobre discurso vazio porque me decepcionei com ela. Minha intenção era brincar com o vazio dos discursos, mas não era nessa direção que os debates rumavam. A comunidade estava dominada por um grupo de “gênios” que se considerava detentor da verdade. Não estavam preocupados com o discurso vazio em si, estavam preocupados com qualquer discurso que contrariasse suas opiniões, suas ideologias, seus preconceitos. Qualquer discurso da direção política oposta era logo tachado de vazio, ignorante ou ridículo.

 

O que é isso? O que é essa tomada de posição surda e burra? O que é esse dogmatismo que impede a percepção de coisas boas no discurso do outro? O que é essa intolerância que proíbe o aproveitamento, por menor que seja, de qualquer informação que o outro divulgue?

 

Essa tomada de posição, dogmática, obscura, leva muita gente a criticar autores que nunca leram. Muita gente critica Marx ou Adam Smith sem ler. Muita gente só enxerga o comunismo se vinculado ao stalinismo, da mesma forma que muita gente só vê o capitalismo vinculado às ditaduras nele construídas. Muitos “liberais” são bastante rápidos em apontar o dedo e destruir o discurso marxista, dizendo que tal discurso só serviu para matar milhões de pessoas num stalinismo sanguinário; ou seja, dizem que o marxismo necessariamente leva a uma ditadura sanguinária. Ao mesmo tempo, esses “liberais” apontam as maravilhas do capitalismo, se perceber a deturpação dos valores liberais mais sagrados, como a meritocracia, num mundo sujo onde o “quem indica” supera o mérito.

 

Vice-versa: quantos “socialistas” adoram apontar as atrocidades do capitalismo, a miséria, a desigualdade social etc., enquanto só faltam ficar de quatro pro Fidel Castro? Desde quando uma ditadura pode ser justificada? Desde quando um governo sem liberdade de expressão pode ser considerado um governo justo?

 

O espaço é pequeno, meu conhecimento idem, minha paciência idem, idem. Não conseguiria discorres sobre esse assunto sem explicitar ao máximo minhas paixões, minhas falhas e meus preconceitos. Sei que minha opinião desperta coceiras em ambos os lados. Não me considero de centro, nem me considero dono da verdade. Eu acredito num mundo onde as pessoas têm que lutar pra viver, um mundo onde o mérito seja valorizado. Acredito, também, num mundo de igualdade. Não uma igualdade de resultados, onde os que trabalham sustentam os preguiçosos e todos acabam comendo, mas num mundo de igualdade de condições, ou seja, num mundo onde todos possam ter condições de mostrar seu valor, de lutar, de batalhar etc.

 

Acredito em elementos de ambos os lados. Gosto de certas coisas que aparecem na Veja e em certas coisas que aparecem na Caros Amigos. Talvez possa me considerar esquerdista, uma vez que não me considero conservador (acredito na legalização do aborto até determinado mês, no casamento civil homossexual, na liberdade total para as mulheres etc.). Mas meu esquerdismo não me impede que deboche de outros esquerdistas. Meu esquerdismo não vai me levar a construir um altar e idolatrar Marx, nem vai me causar um sentimento de anti-americanismo. Acredito na tolerância, no respeito e na responsabilidade da liberdade. Acredito que nenhum discurso é absoluto e detentor da verdade, pois somos seres limitados, capazes de enxergar sob uma única perspectiva, ainda que uma perspectiva em constante mutação. Se nenhum discurso é capaz de englobar o total, não serei eu aquele que irá desprezar o discurso do outro em nome da pureza de meu próprio discurso. Se estou certo ou se estou errado, é questão de perspectiva. E qualquer perspectiva bitolada vai dizer que estou errado, mesmo tendo lido somente até a quinta linha.



 Escrito por João Carlos Escosteguy Filho às 14h37
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O que é isso de Big Brother? Um bando de modelos ou bonitões escolhidos a dedo pelos produtores, duas pessoas comuns "sorteadas". Não tenho dúvidas sobre quem quero que fique até o final: Mara, Léa e Agustinho, apesar de a primeira não ser tão simpática nas edições do programa (como se a personalidade de alguém pudesse ser definida nessas edições... Mas, vá lá!). Sobre quem deve ganhar, não sei.

Nada desse papo politicamente irritante de "coitadinho". Não tem coitadinhos ali, há jogadores. Alguns mais necessitados do que outro, mas jogadores. Meu critério para as eliminações é simples. Explico:

Um bando de modelos ou diplomados. Um é tradutor e ex-monge, quase virgem etc e tal. Outro é advogado (bacharéis em Direito são elite desde o Império). Uma é psicóloga e evangélica quase pigunça. Enfim...

Os que não têm o canudo, têm o canudo longo. Modelos, bonitões, bonitonas, já apareceram no programa e agora vão posar na Playboy, Sexy, G Magazine, Pan-Magazine; vão na Luciana GImenez, no Gugu, "jogar games" no Gilberto Barros e chorar no Faustão. Todos esses espécimes lindos vão ganhar cachês altos pra dançar em festas de 15 anos, pra fazer propaganda, pra aparecer em festas, festas e mais festas, badalação, viagens, yahooo!

Para onde vão Mara, Léa e Agustinho depois do BBB6? Serão esquecidos como tantos outros. Os demais, bonitões e bonitonas, sempre têm convites à espera quando saem da casa. Só ter aparecido ali, mostrado o corpinho, já é o bastante pra fazerem um ótimo pé-de-meia. Agustinho, Léa e Mara, não: voltariam para suas vidinhas, comuns, sem badalação, como antes. Voltam pros seus empregos e, em pouco tempo, somente serão lembrados pelos mais próximos.

Agustinho,  Mara e, talvez, Léa nunca posarão pra Playboy e pra G Magazine. Não fazem o estilo bonitões, nem têm tempo pra esculpir seu corpos em academias e brincar de estudar em faculdades furrecas. Agustinho, Mara e Léa são personagens comuns, coadjuvantes como nós.

Mas não vou votar em ninguém, não. Aquilo é jogo, só quero me divertir nessas férias. E só.



 Escrito por João Carlos Escosteguy Filho às 22h39
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Fuga com mama atrás (especial sem encomenda pro Blogueiros Malditos)


 Fujo porque sujo, e mamãe não gosta. A toalha da mesa era novinha em folha, recém comprada num escambo escuso que envolveu espelhos, sacos de vômito enlatados e contrabandistas de trinidad e tobago. Mas, raios, eu ia adivinhar que toalhas brancas sujam com ketchup? Ora bolas, posso ser culpado pela ignorância? Pela displicência? Por abusar da liberdade constitucional? Por gostar de baconzitos com ketchup?

 Geralmente os filhos se escondem no próprio quarto. Uma fuga alucinada, uma corrida de obstáculos da cozinha até pra baixo da cama, passando pelo corredor escuro, pelo banheiro com cheiro de hortelã e pelo selvagem poddle adormecido no sofá. Um pouquinho de elasticidade e zás!, estou embaixo da cama, agarrado ao lençol e ao ursinho Ted (porque todo mundo tem um ursinho Ted, mesmo que ele se chame Brontossauro X). No aconchego do esconderijo, ouço os urros de uma mãe ensandecida: "Carlitos, safado cachorro sem vergonha, onde está você?". Em meio aos berros, percebo que o vaso tailandês da dinastia Ming, adquirido num leilão clandestino em Pindamonhangaba, cai de seu pedestal e se espatifa com força sobre o tapete de veludo. Há um breve minuto de silêncio (que dura, na verdade, 7 segundos), após o qual um toque assassino se une aos lamentos anteriores de minha mãe.

 "Carlitos, é o fim da picada! O vaso não, o vaso não, Carlitos! Isso tudo é culpa sua!"

 Logo percebo que ficar por ali seria risco de vida. Hora do plano B, uma fuga alucinada pelos canos adjuntos à janela, descendo-os com velocidade, atravessando o gramado, pulando a cerca de madeira e correndo o mais rápido possível até chegar ao México ou me cansar, o que vier primeiro.

 Esquematizo rapidamente todas as etapas do meu plano. Hora de agir.

 "Arrá!"

 "Uáááá!"

 "Te peguei, mocinho. Agora não vai escapar!"

 Tento me desvencilhar das mãos peludas de minha mãe. Como foi lutadora de Krav Magá na infância, tal tarefa foi um tanto complicada. Nada que um pouco de esforço não compensasse.

 "Volta aqui, Carlitos!"

 Com todas as minhas vias de fuga obstruídas, restou apenas a última solução: fuga pro colinho do papai!

 "Papai, papai!"

 "Vai, Coringão! Vai, vai!"

 "Papai, papai!"

 Pulei sobre seu colo no momento em que Tevez acertou o travessão. As chances estavam boas pro Corinthians e pra mim, pois a felicidade de papai era a chave para domar a fúria da mamãe.

 "Nossa, foi quase! Viu essa, Carlinhos?"

 "Papai, a mamãe quer me bater..."

 "Travessão, travessão! Vai, Corinthias, vai, vai que tá quase!"

 "Papai, a mamãe..."

 "A mamãe o que, Carlitos?"

 A fera apareceu. Estaria nosso herói perdido? Estaria o bumbum de nosso herói fadado a receber umas boas bordoadas?

 "Frederico Simão de Albuquerque, você sabe o que seu filho fez?"

 "Oi?"

 "Sujou a toalha, me fez quebrar o vaso, quase me fez cair quando o persegui e blábláblábláblá..."

 "Oi?"

 "Frederico, você está prestando atenção em mim?"

 "Sim, hã... Oi?"

 Consegui escapar! Mamãe reclamando e papai vidrado no futebol, ótima mudança de assunto a meu favor. A vitória era certa, só falta uma boa saída pela tangente. Escorreguei para o chão e fugi definitivamente para a casa de meu amigo, L.O.P.Q.C.R., onde o Playstation 2 me esperava. Encontrei-o na rua.

 "Que houve, L.O.P.Q.C.R.?"

 "Rápido Carlitos, deixei cair farofa dentro do microsystem Aiva Super Compact da Sony! Tô fugindo do meu pai, me ajuda."

 "L.O.P.Q.C.R., você não toma jeito, heim moleque? Vem, vamos pra casa do Zé Ninguém."

 E depois disso, uma boa tarde jogando Banco Imobiliário. O chato foi a irmã caçula do Zé, que derrubou cerveja barata em cima do Morumbi. Mas tudo bem, a desgraçada já foi encontrada.



 Escrito por João Carlos Escosteguy Filho às 15h46
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Carta do visitante estrangeiro a seu mui querido hermano.


Caro amigo, como vai? Ah, rapaz, eu me sinto muitíssimo bem. Essa viagem pelas terras do Brasil foi extremamente agradável! Conheci lugares magníficos, o Brasil é um lugar espetacular. Tenho que te dizer: não acredite nessa gente que fala mal do Brasil. É um país lindo, tranquilo, limpo e muito organizado. Não tem essas coisas de assalto, violência, bala perdida. A tropa de segurança nacional (eles abreviam seu nome pra uma sigla que significa Patrulha Móvel) mantém a ordem em todas as cidades. Utilizam um uniforme azul, em aluzão à cor tão bela da gloriosa revolução francesa. São educados, gentis e amorosos. Várias vezes me ofereceram carona em seus veículos táticos móveis, desejavam me levar a uma linda praia que chamam por aqui de "extorsão", mas nosso pretenso passeio foi interrompido por uma famigerada passeata de agentes comunistas infiltrados. Ah, os comunistas são uma realidade por aqui, mi hermano. Fazem passeata por tudo, infestam as bem-equipadas universidades brasileiras. A educação básica de qualidade, pública, conquistada por uma amigável transição para a modernidade nos últimos 40 anos, também é reduto dessa gente.

Mas voltemos às belezas do país. As mulheres, ah, as mulheres são maravilhosas! São quentes, carinhosas e fogosas, embora todas tenham manifestado o sonho de casar virgem. Respeitoso que sou, propus casamento a cada uma delas. Ah, como riam de felicidade ao meu convite. Declinaram, pois revelaram ter alergia a grinalda. Compreensível, é lógico. Curioso é o estranho hábito destas mulheres brasileiras, provavelmente herança da maldita colonização, de trocar presentes numa espécie de escambo mais desenvolvido. Em todos os casos, levaram minha carteira e deixaram uma espécie de balão de borracha transparente, que tive muita dificuldade em encher por conta do estranho líquido pegajoso que escorria de dentro. Curioso esse sistema de trocas. Parece ser tradição por aqui, inclusive nos pontos de ônibus. A esse sistema dão o nome de "Adeusinho Otário", pelo que pude averiguar com meu fluente português.

A viagem transcorreu maravilhosamente. Viajei a maior parte de ônibus, embora em certos momentos tivéssemos que descer e seguir caminho no lombo de mulas. Logo nos primeiros dias, conheci em Pindamonhangaba um adorável grupo de mexicanos ortodoxos, que me incluíram entre os seus mesmo sendo um estranho. Me presentearam com câmeras, tiramos fotografias e fizemos nossas refeições em conjunto. As fotografias lhe enviarei, mi hermano, assim que me for devolvida a câmera. Ao que tudo indica, ela sofreu uma contaminação por "muamba", um mal da terra, evidentemente, e precisou ficar em quarentena no "Hospital Nacional de Alfândega", pela informação que me foi passada.

Ah, foram 168 dias de muita diversão e descanso. Inclusive, perdi aquelas tão indesejadas gordurinhas da região abdominal. O serviço nacional de viagem incluía algumas semanas em um SPA. Teria sido o pior momento, sabes como adoro comer, hehehe. Mas a dieta a pão e água logo foi esquecida, visto que os funcionários do SPA estavam sempre preocupados em me animar. Permaneciam o tempo todo de máscaras, creio que devido às festividades conhecidas como Carnaval, que duram 302 dias por ano. Me deixaram amarrado o tempo todo em uma cama, para que não caísse na tentação de devorar a geladeira ou um daqueles saudáveis petiscos que deixavam sobre mim, uma espécie de feijão saltador a que chamam "barrata".

Mi hermano, sou só elogios sobre este maravilhoso país. Sinto-me um tanto triste por voltar para casa, mas já começo a planejar meu retorno a esta terra abençoada por Deus e bonita por natureza. Assim que estas coceiras pararem e meu braço voltar à cor de antes, embarcarei novamente. Espero que desta vez vá comigo. Um abraço. Sigue con Dios. Arriba!



 Escrito por João Carlos Escosteguy Filho às 10h53
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O texto a seguir não é meu. Pros preguiçosos incorrigíveis, garanto: vale a pena sair da rotina um pouco.

Reprodução do artigo do historiador José Murilo de Carvalho publicado pelo jornal O Globo em 16/12/99, pág. 7,  intitulado – Como escrever a tese certa e vencer .

 

Ter que fazer uma tese de doutoramento na incerteza de como será recebida e na insegurança quanto ao futuro da carreira é experiência traumática. Quando passei por ela, gostaria de ter tido alguma ajuda. É esta ajuda que ofereço hoje, após 30 anos de carreira a um hipotético doutorando, ou doutorando, sobretudo das áreas de humanidade e ciências sociais. Ela não vai garantir êxito, mas pode ajudar a descobrir o caminho das pedras.

 

Dois pontos importantes na feitura da tese ou na redação de trabalhos posteriores são as citações e o vocabulário. Você será identificado, classificado e avaliado de acordo com os autores que citar e a terminologia que usar. Se citar os autores e usar os termos corretos estará a meio caminho do clube. Caso contrário, ficará de fora à espera de uma eventual mudança de cânone, que pode vir tarde demais. Começo com os autores ... A regra no Brasil foi e continua sendo: cite sempre e abundantemente para mostrar erudição. Mas, atenção, não cite qualquer um. É preciso identificar os autores do momento. Eles serão sempre estrangeiros. No momento, a preferência é para franceses, alemães e ingleses, nesta ordem. Entre os franceses, estão no alto Ricoeur, Lacan, Derrida, Deleuze, Chartier, Lefort. Foucault e Bourdieu ainda podem ser citados com proveito. Quem se lembrar de Althusser e Poulantzas, no entanto, estará vinte anos atrasados, cheirará a naftalina. Se for para citar um marxista, só o velho Gramsci, que resiste bravamente, ou o norte-americano F. Jameson. Entre os alemães, Nietzsche voltou com força. Auerbach e Benjamin, na teoria literária, e Norbert Elias, em sociologia e história, são citações obrigatórias. Sociólogos e cientistas políticos não devem esquecer Habermas. Dentre os ingleses, Hobsbawm. P. Burke e Giddens darão boa  impressão. Autores norte-americanos estão em alta. Em ciência política, são indispensáveis, R. Dahl, ainda é aposta segura, Rorty e Rawls continuam no topo. Em antropologia, C. Geertz pega muito bem, o mesmo para R. Darnton e H. White em história. Não perca tempo com latino-americanos ( ou africanos, asiáticos, etc. ). Você conseguirá apenas parecer um tanto exótico.

 

Brasileiros não ajudarão muito, mas também não causarão estrago se bem escolhidos. Um autor brasileiro, no entanto, nunca poderá faltar: seu orientador ou orientadora. Ignorá-lo é pecado capital. Você poderá ser aprovado na defesa de tese, mas não terá seu apoio para negociar a publicação dela e muito menos a orelha assinada por ele. Se o orientador não publicou nada, não desanime. Mencione uma aula, uma conferência, qualquer coisa.

 

O vocabulário é a outra peça chave. Uma palavra correta e você será logo bem visto. Uma palavra errada e você será esnobado. Como no caso dos autores, no entanto, é preciso descobrir os termos do dia. No momento, não importa qual seja o tema de sua tese, procure encaixar em seu texto uma ou mais das seguintes palavras: olhar ( as pessoas não vêem, opinam, comentam, analisam, elas têm um olhar ); descentrar ( descentre sobretudo o Estado e o sujeito ); desconstruir ( desconstrua tudo ); resgate ( resgate também tudo o que for possível, história, memória, cultura, Deus e o diabo, mesmo que seja para desconstruir depois ); polissêmico ( nada de “mono”); outro, diferença, alteridade ( é a diferença erudita ), multiculturalismo ( isto é básico : tudo é diferença, fragmente tudo, se não conseguir juntar depois, melhor ); discurso, fala, escrita, dicção ( os autores teóricos produzem discurso, historiadores fazem escrita, poetas têm dicção); imaginário ( tudo é imaginado, inclusive a imaginação ), cotidiano ( você fará sucesso se escolher como objeto de estudo algum aspecto novo do cotidiano, por exemplo, a história da depilação feminina); etnia e gênero ( essenciais para ficar bem com afro-brasileiros e mulheres ); povos ( sempre no plural, “os povos da floresta”, “os povos da rua”, no singular caiu de moda, lembra o populismo dos anos 60, só o Brizola usa ); cidadania ( personifique-a: a cidadania fez isso ou aquilo, reivindicou, etc. ). Para maior efeito, tente combinar duas ou mais dessas palavras. Resgate a diferença. Melhor ainda: resgate o olhar do outro.

 

Atinja a perfeição: desconstrua, com novo olhar, os discursos negadores do multiculturalismo. E assim por diante.

 

Como no caso dos autores, certas palavras comprometem. Você parecerá démodé se falar em classe social, modo de produção, infra-estrutura, camponês, burguesia, nacionalismo. Em história, se mencionar descrição, fato, verdade, pode encomendar a alma.

 

Além dos autores e do vocabulário, é preciso ainda apreender a escrever como um intelectual acadêmico ( note que acadêmico não se refere mais à Academia Brasileira de Letras, mas à universidade ). Sobretudo, não deixe que seu estilo se confunda com o de jornalistas ou outros leigos. Você deve transmitir a impressão de profundidade, isto é, não pode ser entendido por qualquer leitor. Há três regras básicas que formulo com a ajuda do editor S. T. Williamson. Primeira: nunca use uma palavra curta se puder substituí-la por outra maior: não é “crítica” mas “criticismo”. Segunda: nunca use só uma palavra se puder usar duas ou mais: “é provável” deve ser substituído por “ a evidência disponível sugere não ser improvável”. Terceira: nunca diga de maneira simples o que pode ser dito de maneira complexa. Você não passará de um mero jornalista se disser: “os mendigos devem ter seus direitos respeitados”. Mas se revelará um autêntico cientista social se escrever: “o discurso multicultural, com ser desconstrutor da exclusão, postula o resgate da cidadania dos povos  da rua”.

 

Boa sorte.



 Escrito por João Carlos Escosteguy Filho às 01h45
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Riuston, contagem regressiva para o lançamento do visitante número 2000*

 

* Embora 1874 visitas tenham sido feitas por mim mesmo...



 Escrito por João Carlos Escosteguy Filho às 18h07
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Rede TV tira 2º programa de Kléber do ar
language=javascript type=text/javascript> da Folha Online

  Depois da extinção do vespertino "Tarde Quente", a Rede TV! não apresentará hoje às 23h45 o programa "Eu Vi na TV", o segundo programa do humorista João Kléber na emissora.
  Uma pessoa, que preferiu não se identificar, disse que na hora da edição da atração noturna sobrou pouco material quando foram cortadas as tradicionais pegadinhas e o teste de fidelidade.

O que mais me impressionou, nessa história toda, foi ter sobrado alguma coisa...



 Escrito por João Carlos Escosteguy Filho às 22h58
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Falando de extremos – parte 1

O sujeito de direita é um cara como todos nós, só que mais chato. Ele não gosta de agitos, ele não gosta de revoltas, ele não gosta de revoluções. Ele quer que tudo fique em paz, que a ordem seja mantida, que sua vida siga sem alterações bruscas. Ele não gosta da aventura, da incerteza, da mudança. Ele tem medo de mudar, e tem medo que os outros mudem.

O cara de direita não gosta dos caras de esquerda. Para o direitista, os esquerdistas são todos marxistas, comunistas e baderneiros. São um bando de gente sem ter o que fazer, maconheiros, que só vão pra faculdade pra fazer política, ao invés de aprender conteúdo e arrumar emprego numa grande multinacional, mais tarde, quando estiver formado. O cara de direita odeia professores marxistas, porque é um cara que só sabe ouvir a própria opinião, mesmo se for na boca de outros. Se o marxista começa a falar, é logo chamado de "doutrinador", "parcial demais", "tendencioso ao extremo". O cara de direita quer que os marxistas sejam banidos das faculdades, das escolas e das casas de massagem da Praça da Bandeira.

O cara de direita admira o Capitalismo, "único sistema onde a justiça pode ser feita". Para o tal de direita, no Capitalismo a meritocracia liberal impera, e os esforçados sempre alcançam o sucesso. O cara de direita não conhece pobre, não conhece mendigo, não conhece meninos de rua. Ou pode ser que conheça, claro. Afinal, o nosso amigo de direita acha mais justo um sistema que "premia uns poucos", em comparação com um sistema que "não premia ninguém".

Os seres de direita querem subir na vida. Querem se formar em boas faculdades e conseguir bons empregos. Querem ser a elite da elite do sistema, mantenedora da ordem, do progresso e do blábláblá. Os seres de direita acham que vão conseguir bons empregos em qualquer lugar, claro, porque o Capitalismo os ama e, aqui, o que vale é o talento. Os caras de direita nunca sonharam em dormir com diretores de TV, para conseguir um papel nas novelas. Os caras de direita devem achar o Gianequini (sic, porque não sei escrever o nome dele) e a Fernanda Lima bons atores e feios. Os seres de direita não devem conhecer nenhum playboy festeiro e alienado. Os caras de direita devem achar que ACM Neto é um grande político, e que ele não deve ser neto de Você-Sabe-Quem.

As pessoas de direita acham que a pobreza é culpa da África e da América Latina, regiões incapazes de se abrir plenamente ao Capitalismo. O acéfalo de direita crê, de coração, que o Capitalismo Neoliberal, ao se expandir pelo mundo, criará uma sociedade justa e maravilhosa.

Essa coisa de direita que o a função do Estado é onerar a economia, aumentar os juros e atrapalhar o desenvolvimento. O filhote de direita confunde teoria com prática, e não percebe que uma idéia dificilmente realiza-se plenamente, quando aplicada. O cara de direita não contava com a astúcia do Capitalismo.

O de direita acha que o marxismo morreu porque a União Soviética perdeu. O de direita crê que o marxismo só serve pra fazer Revolução Russa. O de direita confunde Stalinismo e Maoísmo com comunismo, e acha que o socialismo é impraticável. Inexplicavelmente, apesar disso, ele crê que o liberalismo é aplicável! Ele não deve conhecer subsídios, protecionismo, cartéis...

Essa gente de direita acha muita coisa, e se acha muito. Geralmente, vejo direitistas brancos e de razoável condição financeira. Vou fazer o teste um dia: preciso perguntar a pobres o que eles acham das maravilhas do capitalismo, e a negros o que eles acham das maavilhas da meritocracia. Será que a resposta irá me surpreender?



 Escrito por João Carlos Escosteguy Filho às 11h18
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Da série, versão rascunho que vocês não vão ver completa

Sucinta carta de amor de A. a sua amada M.

Texto extraído da dissertação

O Movimento Epistemológico de Tão Nobre Sentimento: Questões

 

Caríssima:

Tendo como medida teórico-metodológica o cuidado em traçar paralelos entre nossos sensíveis corações, procuro extrair do meu mais profundo e cognoscível ser tudo aquilo de agradável que a ti posso oferecer: o tão estimado, e já bastante discutido por vários autores, amor!

Partindo do pressuposto que o sentimento é recíproco, não me sinto embaraçado em fazer propostas escusas a ti, meu adorável Bourbon safra 1943. A ti devo tudo que sou, todas as poses e todo o arcabouço acadêmico que me sustenta em tão venerável posição. Toda vez que exerço o divino direito de não ter critérios, é em ti que penso. Todas as noites passadas em claro, piadas escabrosas a ruminar e decorar apropriadamente (huó-hó-hó), é ti, e somente ti, que tenho em mente.

A distância entre nós é evidente, eu sei! Sou um injustiçado algoz, sim, eu sei! Pareço séculos quando tenho décadas, sim, EU SEI! E me lamento por isso, ah, me lamento!

Eu pensei que fazia a coisa certa, minha cara! Juro que tentei fazer direito, apesar de talvez um tanto tarde demais. De que valem todos meus livros, diplomas, teses publicadas e vocabulário enrustido, se não tenho seu amor, seu corpo quente e belo junto ao meu torneado peito cabeludo? Ah, divina, quanta falta sinto de ti!

Não me vem, nesse sublime momento, nenhuma idéia para uma conclusão brilhante digna dessa carta, onde depositei tudo aquilo que me ficou acumulado por anos, gritando para sair! Nenhum idioma do mundo tem palavras suficientes para descrever esse momento (e olha que eu leio inglês, francês, espanhol, alemão...). Nada, nada em meu vocabulário pode se aproximar de mim nesse instante...

VENHA! VENHA INSPIRAÇÃO!

P... putaquepariu!

Oh, eu falei! Falei, sim, eu falei! Preciso lavar minha boca agora, adorada! Perdão, não posso vê-la hoje. Acabo por aqui. O Leviatã se descontrola, ó céus! Rosne, leão adormecido! Mostra que tu é macho, tchê!

 

Brandeburgo, algum mês, algum ano há muito passado (quando a pipa do vovô subia ainda)



 Escrito por João Carlos Escosteguy Filho às 19h28
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responda rápido e sem pensar, como se fosse um questionário do Tremendao: por que eu fiz a parte II?

a) porque só assim preu ter mais de 4 comentários
b) porque eu ando sem idéias mais originais
c) porque sim

resposta depois dos comerciais.

DEFINITIVO DICIONÁRIO DA UNIRIESCO (ainda em construção):

Citação: Modo enfeitado e afeminado de dizer "cópia". Ver "pesquisa na Internet"

ENEH: Não fui. Ver "Prova do Sanches".

Greve: cessação voluntária e coletiva do trabalho, ainda que desunida, decidida por assalariados ou alunos para obtenção de benefícios materiais e/ou sociais, tais como trabalhar em Janeiro, aumentar em 1% os rendimentos ou almoçar um PA decente.

Pesquisa na Internet: ver "A Devassa da Devassa"

Presidência: a) Ofício que dá prestígio e tem carga horária semanal de 0 horas. Ver "Curriculum Lattes do Arno"
                 b) Ofício que dá prestígio e tem carga horária semanal de 0 horas. Ver "Curriculum Lattes do Lula"
                 c) Ofício que dá prestígio e tem carga horária semanal aparente de 0 horas. Ver "Currículum Lattes da Reitoria"

Reitor (a): aquele que administra ou dirige; diretor de universidade; cargo superior que consiste em negar ônibus pro ENEH até o último segundo, fazer doce pra Decania e não ser encontrada nunca em sua sala.

Rio das Ostras: Ver "fotos" (se você encontrar por aí)

Roteiro (Fazer): 1) Nome dado à prática do Happy Hour nas quarta-feiras. Ver "insônia"
                      2) Nome dado à não-prática de ensinar. Ver "presidência"

Sanches:  1)Etimologia original do ilustre personagem de Cervantes, perdida no tempo. "Las adventuras del ingenioso hidalgo Don Quijote de La Mancha y su ilustre compañero Sanches Pança" 
              2)Espécie de wookie da Escócia, capaz de provocar medo nos habitantes de Kuotzvala que sobreviveram a Brasil I.
              3)Nome genericamente dado aos aterradores discípulos do Tremendão, que usam táticas de camuflagem para surpreender os alunos com seus ataques: "Ele saiu de novo? Me passa a 1!" "Ele tá aqui! AHHHH!"

Tremendão: Conceito de múltiplos significados, que pode significar Deus, Diabo ou Tanto Faz de acordo com a perspectiva da corrente historiográfica utilizada (ou de acordo com a minha nota de Europa Moderna).



 Escrito por João Carlos Escosteguy Filho às 20h24
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O embaixador da Venezuela nos Estados Unidos, Bernardo Alvarez, rechaçou e condenou as declarações do pastor Pat Robertson, ex-candidato presidencial pelo Partido Republicano e fundador da Coalizão Cristã, que defendeu o assassinato do presidente venezuelano, Hugo Chávez, por agentes do serviço secreto dos EUA. Além de repudiar a manifestação de Robertson, classificando-a como um ato terrorista, Alvarez exigiu uma condenação clara e precisa por parte da Casa Branca. “Este senhor fez uma incitação ao terrorismo, ao pedir a organismos do governo norte-americano que assassinassem o presidente Chávez”, disse o embaixador.

Fonte: http://www.historianet.com.br/conteudo/default.aspx?codigo=750 (acesso em 11/09/2005)

Impressionante como tem gente que não se contenta com tele-vendas... Que mais virá agora? Bispos incitando fiéis a comprar no MacDia Feliz?



 Escrito por João Carlos Escosteguy Filho às 20h14
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  BRASIL, Sudeste, Homem


 



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